Comunicação

Comunicação corporativa e BYOD by Paulo Henrique Lemos

A adoção em massa de tecnologias da informação, observada a partir da década de 80, ofereceu às empresas a possibilidade de um controle sem precedentes sobre seus fluxos de comunicação e processos de negócio. 

Essa realidade começou a mudar lentamente com ampliação do acesso à Internet, e a subseqüente adoção do email como ferramenta básica de trabalho. Mas foi com a disseminação de tecnologias móveis voltadas ao consumidor que as empresas começaram a se dar conta de que um movimento - posteriormente batizado de "consumerização" estava em curso.

Notebooks, smartphones e tablets ganharam as ruas, casas e escritórios, mudando a forma como nos comunicamos. Se você circula por ambientes corporativos, basta olhar em volta para notar a onipresença e a variedade de aparelhos e canais de comunicação utilizados por seus clientes, fornecedores e, claro, colaboradores. 

Resultado: nunca antes as paredes das empresas foram tão porosas. O controle estrito e hierarquizado de outrora aos poucos dá lugar à organização em rede, na qual informações de propriedade da empresa (das mais banais às mais sigilosas) podem ser carregadas no bolso dos funcionários, e transmitidas instantaneamente a qualquer pessoa, em qualquer parte do mundo.

Efeitos da consumerização

A consumerização - entendida aqui como a introdução de aparelhos de uso pessoal no ambiente de trabalho - é uma tendência provavelmente irreversível, e apresenta um dilema para as empresas, em particular as de grande porte: liberar ou tentar restringir o uso?

Este dilema deu origem a uma tendência chamada BYOD (Bring Your Own Device), sigla em inglês para a expressão "traga seu próprio aparelho". Nas palavras de Cézar Taurion, Gerente de Novas Tecnologias da IBM Brasil, 

"O BYOD libera os funcionários para usar os dispositivos que mais os agradam para a realização das suas tarefas profissionais. Como os consumidores finais estão hoje à frente da vanguarda tecnológica, as empresas perceberam que é muito mais negócio abraçar essa ideia do que proibir. (…) O setor de TI não é mais dono do ambiente tecnológico dos usuários. O tradicional paradigma da homologação e definição por TI do que pode ou não entrar na empresa já não vale mais."

Ainda assim, a inevitabilidade da adoção de tecnologias de uso pessoal no ambiente de trabalho não significa que as empresas possam ou devam simplesmente "liberar geral". É preciso avaliar, explica Cézar, os riscos (segurança de dados, por exemplo) e oportunidades (como a maior agilidade e a redução de custos):

"O fato de cada vez mais os usuários comprarem seus smartphones não significa que a empresa deve ficar parada esperando que eles os tragam e os conectem à rede corporativa. Na prática podemos pensar em dois extremos. Em um, tudo é proibido, e nenhum smartphone entra na empresa. Impossível de controlar. No outro extremo, tudo é liberado. Os riscos são imensos. O que a empresa tem é que definir em que ponto entre os extremos quer chegar e por onde começar. A área de TI deve liderar o processo, mas envolvendo outros setores como gestão de riscos, RH e jurídico, uma vez que aspectos legais e trabalhistas serão envolvidos."

No limite, a emergência do BYOD representa mais do que apenas um desafio técnico, jurídico ou operacional. Na busca por formatos de integração entre tecnologias de uso pessoal e profissional está implícita a premissa de que cada funcionário (e, por extensão, a própria empresa) não é apenas parte da rede que o conecta a outros funcionários e empresas. Ambos, funcionário e empresa, são partes de uma sociedade conectada em rede, que apenas começa a descobrir o potencial da comunicação e da colaboração para a criação de valor.

[Post para o blog da RMA Comunicação]

Como a economia da atenção afeta o seu planejamento de comunicação by Paulo Henrique Lemos

Você já parou pra pensar no que faz do Facebook uma empresa tão influente hoje? A resposta não está necessariamente nos resultados financeiros ou na capacidade de inovação da equipe de Mark Zuckerberg, e sim em uma estatística simples: 1.4 bilhão de usuários, que passam, cada um, em média, mais de 15 horas por mês conectados ao serviço. Na prática, isto significa que o Facebook tem acesso a um dos recursos mais escassos do planeta Terra na atualidade: a atenção de muita, muita gente.

O economista Herbert Simon (1916-2001) foi o primeiro a descrever o fenômeno da economia da atenção, ainda sem esse nome, na década de 1970: "A riqueza de informação cria pobreza de atenção, e com ela a necessidade de alocar a atenção de maneira eficiente em meio à abundância de fontes de informação disponíveis".

Se a abundância de mensagens competindo por nossa atenção não é algo novo, por outro lado ela nunca foi tão facilmente perceptível quanto hoje - e não estamos falando apenas de campanhas publicitárias, dessas que parecem nos perseguir onde quer que estejamos. 

Estamos falando também no volume de telefonemas e emails que recebemos, nos posts e notificações enviados pelas mídias sociais que freqüentamos, nas solicitações automáticas dos aparelhos e aplicativos que usamos. Cada gota desse oceano representa uma tentativa de nos "impactar", de nos estimular a esta ou aquela ação.

Saturados pelo volume de mensagens e estímulos a que somos expostos, somos forçados a lidar permanentemente com a escolha entre quais mensagens ignorar - ou não. Passamos a "premiar" os agentes que melhor atendam ao nosso contexto (momento, necessidades e expectativas), por mais efêmero e imperceptível que este seja. 

E é esta, quatro décadas depois, exatamente a questão que se coloca para as empresas na hora de planejar a comunicação corporativa. Um cenário de abundância de informação e escassez de atenção não cria oportunidades para que pessoas e organizações atuem como filtros, identificando e traduzindo o que há de relevante para seus públicos?

[Post para o blog da RMA Comunicação]