As lições da empresa do ano: nada que você já não saiba. Duro é fazer / by Paulo Henrique Lemos

A revista Inc. escolheu a sua empresa do ano em 2017. A escolhida fatura US$ 500 milhões e cresce 30% ao ano. Nunca tomou um tostão de venture capital. Ainda pertence aos três caras que a fundaram, há duas décadas.

É quase sinônimo do serviço que oferece, e sua base de clientes privilegia pequenas e médias empresas, em um bem-sucedido modelo freemium. Negocia parcerias de igual pra igual com gigantes do porte de Facebook e Google. 

Tudo isso no ultra-competitivo e ultra-fragmentado mercado de MarTech (marketing technology), em que, como notamos outro dia, literalmente milhares de competidores brigam por espaço em uma infinidade de nichos. 

Nada mal, hein, MailChimp?

MailChimp? Pois então. Como qualquer profissional de marketing sabe, não há nada menos sexy do que o email. E, como qualquer profissional de marketingtambém sabe, o email... funciona. Além de ser relativamente simples e barato comparado a outros canais. Como quase tudo neste nosso ramo, é uma questão de saber fazer. 

A crer no que diz a Inc., a história da MailChimp passa longe do conto de fadas (ou do vigário) da startup que dá certo. Chega a ser cômica a humildade do CEO, Ben Chestnut, ao falar de seus erros e de como as decisões foram e são tomadas por lá.

Me ocorre que, a esta altura, a gente não deveria mais se surpreender com as MailChimps da vida. Afinal, fazer o que todo mundo faz pode até ser o suficiente para sobreviver, mas raramente é o suficiente para prosperar. Para prosperar, para sair da vala comum da mediocridade, é preciso fazer diferente. É preciso ter disciplina. E paciência.

Me sinto ligeiramente ridículo ao escrever clichês como esses, mas não é por serem clichês que eles deixam de ser verdade. O contrário é mais provável. 

Vi por aí

Acompanho, na modesta condição de leitor e profissional de marketing, as experiências com a chamada "publicidade nativa" aqui nos EUA, em especial as do Times, que tem equipe própria para atender aos anunciantes.

Depois da Dell, agora é a Salesforce, quem diria, a apostar no formato, falando de um assunto que nos é caro: uso de dados e experiência do cliente. Veja aqui o resultado. 

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Ainda no Times: a chegada dos conceitos e práticas de big data aos bares e restaurantes, e as startups que estão na corrida para mensurar e usar, em tempo real, dados de vendas, preferências e comportamento de clientes, reservas, etc. 

Como aconteceu em outros segmentos, no começo nos surpreendemos com a invasão de nossa privacidade. "Another gin and tonic, Mr. Lemos?" Mas logo nos acostumamos com as maravilhas e a conveniência da personalização. Ou não, que sei eu. 

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Modelos de atribuição são um assunto de que se fala o tempo todo aqui, e que raramente aparece em conversas com colegas brasileiros. Mas não seja por isso. Segue aqui um materialzinho esperto para animar a sua próxima reunião de otimização e resultados, cortesia do professor Jeff Sauer. O título? Attribution is Bullshit

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Por fim, recomendo esta leiturinha, a mais lúcida que encontrei sobre chatbots até agora. Como o autor, penso que o uso de formulários não vai acabar tão cedo. 

[Texto para a newsletter da Hook Digital]