Como a economia da atenção afeta o seu planejamento de comunicação / by Paulo Henrique Lemos

Você já parou pra pensar no que faz do Facebook uma empresa tão influente hoje? A resposta não está necessariamente nos resultados financeiros ou na capacidade de inovação da equipe de Mark Zuckerberg, e sim em uma estatística simples: 1.4 bilhão de usuários, que passam, cada um, em média, mais de 15 horas por mês conectados ao serviço. Na prática, isto significa que o Facebook tem acesso a um dos recursos mais escassos do planeta Terra na atualidade: a atenção de muita, muita gente.

O economista Herbert Simon (1916-2001) foi o primeiro a descrever o fenômeno da economia da atenção, ainda sem esse nome, na década de 1970: "A riqueza de informação cria pobreza de atenção, e com ela a necessidade de alocar a atenção de maneira eficiente em meio à abundância de fontes de informação disponíveis".

Se a abundância de mensagens competindo por nossa atenção não é algo novo, por outro lado ela nunca foi tão facilmente perceptível quanto hoje - e não estamos falando apenas de campanhas publicitárias, dessas que parecem nos perseguir onde quer que estejamos. 

Estamos falando também no volume de telefonemas e emails que recebemos, nos posts e notificações enviados pelas mídias sociais que freqüentamos, nas solicitações automáticas dos aparelhos e aplicativos que usamos. Cada gota desse oceano representa uma tentativa de nos "impactar", de nos estimular a esta ou aquela ação.

Saturados pelo volume de mensagens e estímulos a que somos expostos, somos forçados a lidar permanentemente com a escolha entre quais mensagens ignorar - ou não. Passamos a "premiar" os agentes que melhor atendam ao nosso contexto (momento, necessidades e expectativas), por mais efêmero e imperceptível que este seja. 

E é esta, quatro décadas depois, exatamente a questão que se coloca para as empresas na hora de planejar a comunicação corporativa. Um cenário de abundância de informação e escassez de atenção não cria oportunidades para que pessoas e organizações atuem como filtros, identificando e traduzindo o que há de relevante para seus públicos?

[Post para o blog da RMA Comunicação]