Marketing

Como não desperdiçar seu budget de marketing by Paulo Henrique Lemos

Você trabalha com marketing? Então vamos começar 2019 falando do que importa.

Por que tantas empresas brasileiras ainda tratam o marketing como centro de custo?

Por que compram as tecnologias erradas na hora errada?

Por que usam tão mal os dados à sua disposição?

Por que resistem a pensar e fazer marketing respeitando o perfil e comportamento de seus clientes?

Respondo a essas e outras perguntas no podcast do Ricardo Abiz. Ouça e me diga se sou eu ou se é o nosso mercado quem está fora da realidade.

Uma dica: quem acha normal queimar o budget de marketing em ações sem impacto no crescimento do negócio não sou eu.

Quantidade versus qualidade no marketing: como (e por que) fazer menos e melhor by Paulo Henrique Lemos

Crédito da imagem: http://frank.jou.ufl.edu

Crédito da imagem: http://frank.jou.ufl.edu

Demorou, mas finalmente começamos a ver no Brasil o que já é realidade nos EUA: a mudança da quantidade para a qualidade no jeito de pensar e fazer conteúdo e SEO.

Sim, estamos falando da quantidade e da qualidade de campanhas lançadas, de posts publicados, de emails enviados, de contatos convertidos, de tantas coisas que fazem parte da rotina de uma equipe de marketing.

Há bons motivos para essa mudança. Um deles é o aprimoramento dos modelos de atribuição. Um bom modelo é capaz de identificar quais são os canais, conteúdos e interações mais importantes na jornada de compra do cliente. Com isso é possível tomar melhores decisões qualitativas sobre alocação dos recursos de marketing, apostando nas ações que têm impacto direto nos resultados.

Outro motivo é o Google. Mais exatamente, os ajustes que o Google vem fazendo nos critérios de indexação, ranqueamento e exibição de conteúdo. Por muito tempo, publicar conteúdo superficial com alta freqüência foi suficiente para gerar tráfego em busca orgânica. Como o próprio VP do produto de busca do Google faz questão de avisar, acabou a moleza. É preciso investir em qualidade.

Por qualidade, entenda-se não apenas conteúdo mais útil, interessante e aprofundado, mas também o contexto (intenção, momento) e o formato (texto, vídeo, etc.) em que ele é oferecido na experiência do cliente, o valor que ele é capaz de criar em cada interação, antes, durante e depois da compra.

Para empresas e agências, o momento é de transição. Questionar premissas, rever métodos, práticas e expectativas. Enquanto isso, compartilho com você essas três experiências recentes dos nossos parceiros da HubSpot, que mostram (com dados, claro!) um pouco do que vem por aí.

Experiência 1

O que funciona melhor: criar mais conteúdo com menos qualidade ou menos conteúdo com mais qualidade? Por seis meses, a equipe de marketing da HubSpot testou essas hipóteses no próprio blog deles. Leia aqui as conclusões.

Experiência 2

E como fica todo o conteúdo que você já publicou? Veja aqui um exemplo do impacto da otimização de posts antigos usando a estruturação de tópicos. Essa é uma nova prática de SEO, usada para estabelecer a autoridade de uma empresa perante o Google no mercado em que ela atua.

Experiência 3

Pra fechar, leia aqui sobre como diminuir a quantidade de emails enviados e, ao mesmo tempo, aumentar o engajamento da base e melhorar a qualidade dos leads convertidos para vendas. Em outras palavras, os benefícios de fazer menos e melhores campanhas.

Você se considera um profissional atualizado e bem-informado? by Paulo Henrique Lemos

Bom, pelas contas do Josh Kaufmann, a Biblioteca do Congresso aqui nos EUA tem cerca de 1,2 milhão de livros de negócios (business books) em sua coleção.

Assumindo que você leia a uma velocidade de 250 palavras por minuto e que cada livro tenha umas 60 mil palavras, levaria apenas mais de 500 anos para ler tudo — isso sem parar pra comer ou dormir. Mais: segundo a Bowker, empresa responsável por atribuir os ISBNs, outros 11 mil livros de negócios são lançados todos os anos.

Não se esqueça dos periódicos. O Wilson Business Periodicals Index monitora 527 jornais e revistas dedicados a negócios. A cada ano são publicados 96 mil novos artigos e matérias.

Inclua nessa conta os mais de 110 milhões de blogs indexados pelo Google que se dedicam a assuntos de negócios.

O que esses números sugerem é simples: ninguém mais tem todas as respostas. A complexidade dos problemas enfrentados pelas empresas excedeu a capacidade individual de qualquer profissional, por melhor que seja.

Pessoalmente, desconfio de profissionais com o discurso do "eu resolvo sozinho". Saber trabalhar de forma colaborativa e multidisciplinar, coordenando recursos dentro e fora da organização, é uma habilidade valiosa e pouco ensinada.

Como sua empresa vende versus Como seu cliente compra: uma reflexão by Paulo Henrique Lemos

Outro dia, em um evento aqui nos EUA, o diretor financeiro de uma grande empresa de tecnologia, sabendo que encarava uma platéia de profissionais de marketing, abriu sua palestra com a seguinte provocação: "Ah, eu adoro marketing... na hora do aperto, é a área com o budget mais fácil de cortar." 

Todos riram. De nervoso, claro. Quantas áreas de marketing podem dizer, com convicção, que são capazes de demonstrar o impacto do seu investimento e do seu trabalho nos resultados de negócio? Poucas, infelizmente.

Não é por falta de trabalho. Os profissionais de marketing costumam ralar pra fazer as coisas acontecerem.

Não é por falta de investimento. Budgets menores costumam ser uma consequência de maus resultados, não necessariamente a causa deles.

Também não é por falta de tecnologia. Hoje, para qualquer necessidade que uma empresa tenha, existem ferramentas simples, baratas e flexíveis no mercado.

O que falta, então? O que precisa mudar? Em uma palavra, mentalidade. Mais exatamente, a mentalidade das empresas, que persistem no erro de pensar e fazer marketing a partir da perspectiva, das características e das necessidades delas, não dos clientes a que deveriam servir.

É o caso das empresas que só sabem falar de si próprias. "Meu produto", "meus diferenciais", "minha equipe", "minha fábrica", "minhas certificações e prêmios". Não há nada de errado em trabalhar esses e outros assuntos em uma estratégia de marketing. Mas essa abordagem não é mais suficiente para gerar resultados de negócio.

Uma reflexão sobre a experiência do cliente

Pense, por um momento, em tudo que a sua empresa faz hoje em marketing e vendas. Tudo mesmo: da panfletagem no semáforo às mídias sociais, do evento no exterior à publicidade na TV e no rádio. Pense em cada canal, campanha, ação e conteúdo, em cada etapa do seu funil. A combinação entre todas essas coisas define, para o bem ou para o mal, o jeito de vender da sua empresa.

Agora pense no seu cliente, aquele ideal, que tem a capacidade de comprar, e que mais pode se beneficiar do seu produto ou serviço. Que perfil, problemas e expectativas ele tem? Como pesquisa, compara, interage e decide? Em quais canais está? Que conteúdo consome? Quem tem influência sobre ele? A combinação entre todas essas coisas define o jeito de comprar do seu cliente. 

Ao fazer essa reflexão, muitas empresas chegam à conclusão de que se encaixam no cenário da figura abaixo. O jeito de vender delas não tem nenhuma interseção com o jeito de comprar de seus clientes.

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O problema das empresas que se encaixam nesse cenário é grave: o investimento feito em marketing e vendas simplesmente não tem impacto na experiência do cliente. 

Ignorar a experiência do cliente na hora de pensar e fazer marketing e vendas embute sempre o risco de tomar más decisões.

Exemplos não faltam. Como o das empresas que inventam de fazer videozinhos no Instagram para um público que prefere ler revistas de negócios. Ou que enviam aquele email marketing com smart TVs em promoção para quem acabou de comprar uma smart TV. Que fazem cold calls oferecendo imóveis em cidades nas quais o cidadão nunca pisou. 

Questão de sobrevivência

É verdade que está na moda falar em experiência do cliente, mas isso não torna o assunto menos importante. Não é algo passageiro. A médio e longo prazo, experiência do cliente é uma questão de sobrevivência.

Empresas como a Amazon e a Uber, pelo seu alcance e influência, mudam a cada dia as expectativas de seus clientes não apenas em relação a elas, mas em relação a todas as demais empresas, produtos e serviços. Quem espera menos facilidade, personalização e conveniência das marcas que fazem parte da vida do que esperava há um ou dois anos, por exemplo?

Parar de olhar para o próprio umbigo e colocar a experiência do cliente no centro da estratégia de marketing e vendas: essa é a mudança de mentalidade necessária para aproximar o jeito de vender das empresas ao jeito de comprar de seus clientes, como na figura abaixo.

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Como? Ao invés de ações pontuais e massificadas à espera de um milagre, campanhas personalizadas com melhoria contínua e ganhos incrementais. No lugar do improviso, métodos e processos claros. Decidir menos no chute e mais com base em dados.

É aos poucos, não aos saltos, que as empresas encontrarão um mínimo de harmonia entre o que fazem em marketing e vendas e a realidade de seus clientes. É para encontrar e ampliar essa interseção, como na figura abaixo, que elas devem investir tempo, grana e recursos.

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Acima de tudo, ter humildade e disciplina para aprender com o cliente a cada interação. É o mínimo necessário para servir bem, oferecendo algo útil e interessante para conquistar sua atenção e preferência. Entender o que funciona, dia após dia, antes, durante e depois da venda. 

Uma das poucas certezas que os profissionais de marketing podem ter sobre o futuro é que a melhor experiência vencerá. Difícil de fazer? Claro que é. Mas, como diria o outro, se não isso, o que? Se não agora, quando?

[Colaboração para o blog da RMA Comunicação]

Integração entre marketing e vendas: um dos fatores de fracasso do seu investimento by Paulo Henrique Lemos

Na nossa experiência, a falta de integração (de pessoas, processos e tecnologia) entre marketing e vendas é um dos principais fatores de fracasso para o investimento em marketing. Já falamos sobre isso há anos com clientes e parceiros, e às vezes é bom saber que não estamos sozinhos.

Neste post para o blog do LinkedIn Marketing Solutions, o Bob Armour, CMO da Jellyvision, coloca o dedo na ferida:

Hoje, especialmente no B2B, profissionais de marketing precisam entender (e acreditar de verdade) que eles existem para fazer a área de vendas ter sucesso. (…) Talvez alguns se sintam incomodados com isso. Não os contrate. O mercado hoje pede profissionais de marketing que a) se sintam motivados a atingir metas compartilhadas com seus colegas de vendas; b) entendam que vender é a atividade mais difícil e mais valiosa dentro de uma empresa; e c) estejam dispostos a cobrar (e serem cobrados) pela área de vendas.

Pode-se argumentar que essa é uma visão um pouco limitada do papel do marketing, mas, especialmente no Brasil, esse alerta é urgente e importante.