Profissional de marketing versus complexidade / by Paulo Henrique Lemos

Qual é a coisa que mais faz falta na formação de um profissional da sua área hoje? Perguntado, o Atul Gawande, escritor, cirurgião e professor de medicina em Harvard, deu a seguinte resposta:

"Esta não é mais uma profissão em que basta ser o mais inteligente, experiente e capaz. É uma profissão cuja complexidade excedeu a capacidade de qualquer indivíduo, pelo volume de conhecimento e pela habilidade que demanda de seus praticantes. Hoje nós temos que prestar serviços não mais como indivíduos, mas em equipe. Saber resolver problemas em equipe é o que não está sendo ensinado. É aqui que está a maior oportunidade de avançar, e nós não estamos conseguindo.

Os médicos do futuro têm que aprender a entender e aconselhar, não apenas dizer a um paciente quais são as opções de tratamento. Para fazer isso, é necessário apurar com precisão e clareza quais são os objetivos e prioridades do paciente. (...) Quando nós somos capazes de alinhar os objetivos e prioridades do paciente ao tratamento, conseguimos resultados muito melhores, em quantidade e qualidadade."

Resumindo, é o seguinte:

  • Nenhum profissional, por melhor que seja, tem todas as respostas.
  • Logo, saber trabalhar em equipe torna-se obrigatório para resolver problemas complexos.
  • Definir com clareza um problema e perseguir uma solução em harmonia com os objetivos e prioridades do cliente dá resultados, em quantidade e qualidade.

Leio as palavras do Atul e me pego pensando que, se isso vale para a medicina, uma profissão com altíssimas barreiras de entrada, em que ninguém chega perto de um paciente sem passar por anos de estudo e sacrifício, o que dizer de nós, pobres (e, quase sempre, auto-proclamados) profissionais de marketing?

Para ficar num exemplo que me é caro: a fatia do budget de marketing alocada em tecnologia vai saltar do 1% de hoje para no mínimo 10% em 2025. Quantos CMOs você conhece que estão preparados para tomar decisões sobre o uso da tecnologia em suas estratégias de marketing e vendas? Quantos sequer entendem os nichos em que se dividem as mais de 5 mil ferramentas que brigam pela atenção deles?

Vi por aí

Falando em barreiras de entrada, o crowdfunding movimentou 15 bilhões de dólares em 2015. Esse valor deve chegar a 100 bilhões de dólares rapidinho, em 2020. Essa será a montanha de capital à disposição dos novos entrantes em todo tipo de mercado, produto ou serviço – inclusive o seu. 

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Ainda na linha da disrupção (perdoe a buzzword), o Vikram Pandit, ex-CEO do Citigroup, disse à Bloomberg que o avanço da robótica e da inteligência artificial pode eliminar até 30% dos postos de trabalho no setor bancário. 

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E segue a marcha da transformação digital: a Lufthansa, maior empresa aérea da Europa, anunciou a adoção experimental do Bitcoin no seu ecossistema, especificamente para bagunçar o coreto das OTAs (online travel agencies) e suas comissões sobre a venda de passagens. 

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Por fim, pra curtir e refletir: por que a Tesla, uma das empresas mais inovadoras do mundo, não gasta um centavo em publicidade?

[Texto para a newsletter da Hook Digital]