Relembrando Henfil / by Paulo Henrique Lemos

Não tenho idade para ter acompanhado a carreira do cartunista e escritor Henfil, cuja morte completou 25 anos ontem. Mas tenho uma pequena noção de sua importância para a cultura brasileira no período da ditadura, e suspeito que nossa imprensa, tão atenta a efemérides banais, tenha ignorado esta oportunidade de lembrá-lo. Na Folha e no Estadão, nada; no Globouma notinha solitária na coluna de Ancelmo Gois; na TV Brasil, uma breve matéria (quantos a terão visto?).

Mas não desanime. Há boas amostras do trabalho de Henfil nos três volumes da antologia do Pasquim, que cobrem o período 1969-1974, auge da repressão, e também no ótimo A História do Futebol no Brasil Através do Cartum. Seu livro Diário de um Cucaracha, publicado em 1976, reúne cartas enviadas dos EUA a amigos no Brasil, e dá uma idéia do tom que gente inteligente usava para conversar entre si naqueles tempos. A TV cultura exibiu em 2009 Henfil Plural, rico em imagens de arquivo (Henfil falando transmitia sensibilidade e otimismo). Por fim, há o documentário Três Irmãos de Sangue, de 2006, sobre ele e seus irmãos Betinho e Chico Mário, que, parafraseando Silvio Santos, não vi, mas me disseram que é muito bom.